AntiChrist e toda sua densidade

17 janeiro 2013


No lugar de aplausos, escutou-se vaias e críticas para o filme que acabara de ser exibido, em uma das noites do festival de Cannes em 2009. O Diretor entrevistado logo depois, quando saia do evento, questionado sobre o parecer do filme e a recepção calorosamente desastrosa da plateia, ele respondeu que o importante foi finalizar a obra, e que se fosse bom ou ruim, considerava uma vitória apresentar o longa. Lars Von Trier e o seu AntiChrist provocam os seus espectadores até hoje, e por muito tempo o fará, este filme densamente doloroso é feio de ser ver, mais impossível de ser esquecido.

Primeiro a obra: AntiChrist. Um casal faz sexo, enquanto o filho, desce do berço, atravessa o quarto, fica sob a janela e cai. Entregues ao prazer, nem o pai e nem a mãe tomam a atenção para o filho, podendo por diversos momentos evitar a tragédia. Inconformada com o acontecido a mãe, papel de Charlote Gainsbourg de A Noiva perfeita,  fica fora de si e entrega-se ao sofrimento, e para ajuda-la o esposo, Willem Dafoe de Homem-Aranha, a leva para uma cabana na busca que o contato com a natureza possa normalizar os sentimentos. Grande engano.

Explícito e excessivo, Trier e sua audácia pode causar mal estar a expectadores não avisados. AntiChrist é denso, pesado, escuro e longo. Uma fotografia escura, suja e abstrata é o suficiente para jorrar na cabeça de quem assiste, o controle obscuro que o diretor consegue manter, desde a representação das diversas cenas de sexo, que intercalam-se em uma gradual violência, representando o controle que o desejo carnal possa provocar no ser humano vulnerável até a sanidade dos personagens que se perde no escuro da floresta.

Mesmo que a receptividade desta obra não tenha sido uma das melhores, ela destaca-se por seu significado. AntiChrist e toda sua perversão destaca o pior lado do ser humano, mergulhar-se em o que é real e ficção, sem discutir e querer buscar o que é o certo para nós, e não para o limite intelectual da sociedade, torna-se uma obrigação. AntiChrist mostra o lado interno, de forma extravasada, daqueles que não gritam, não choram e não vivem suas dores. 


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