Estou certo de que, o número de mortos no incêndio na boate Kiss em Santa Maria no Rio Grande Do Sul tenha ultrapassado a quantidade declarada pelas autoridades. Não foram só os jovens que asfixiado pela fumaça perderam suas vidas, e sim seus pais, irmãos e amigos que neste momento e por todo o resto de suas vidas não esqueceram essa hora mais escura do domingo de 27 de Janeiro de 2013.
O ocorrido ocasionou nas redes sociais várias discussões sociais e religiosas, algumas delas desnecessárias mais também inevitáveis. Quem apenas chorou as mortes e manteve o luto pela vida dos que se foram, fez seu dever como ser humano, sem jus ou contra, quem apenas sofreu ganhou bem mais do quem comentou ou compartilhou algo que afetasse diretamente a moral sensação de que o acontecido poderia ter sido em qualquer outra situação, em outro lugar, com outras pessoas.
Aviões caem ou explodem no céu, tetos de igrejas caem, desmoronamento de terra leva inúmeras casas com famílias, prédios vão abaixo por nenhum motivo, trens saem dos trilhos, enchentes, terremotos e outros tantos desastres naturais ou não, estão ao nosso redor, levando parentes nossos, amigos de amigos, colegas e infelizmente, até nós mesmos. Mais o que nos leva a julgar que aquelas pessoas que estavam dentro da boate mereciam morrer? Querer se divertir é crime?
Religiosos discutem que a morte da centena de jovens na infeliz madrugada de domingo, era algo esperado, que eles estavam em um ambiente que não condiz com a religião cristã, já que consequentemente Boate é um ambiente para homossexuais e etc. Sinto nojo desses comentários, assim como alguns disseram: Eles poderiam está em casa, dormindo!, Sim, eles poderiam está em casa, mais decidiram ir pra vida, e se nada tivesse acontecido? Sabe como teria sido no outro dia? Eles dormiriam até tarde, e quando acordassem iriam postar fotos no facebook, iriam compartilhar e dizer: “Ontem foi muito massa!!!”, “Kiss ontem foi show!!!” Mais isso não aconteceu.
A Tristeza da grande quantidade de jovens mortos, é de uma dor imensa e intensa. Eles não mereciam morrer ali e naquele momento, eles tinham aula na segunda, tinham trabalho na primeira hora da semana, eles tinham vida, família e sonhos.
O ponto final trágico é comovente pela sua maneira, afinal, não importa como e por que, importa-se que vidas foram interrompidas, deixaram de existir. E se o ocorrido fosse em uma igreja, em um local de trabalho, ou qualquer outro ambiente, estaríamos tristes da mesma forma.
* Texto originalmente publicado no portal www.odivulgador.net o republiquei aqui, por ser um dos mais pessoais que faço em anos.

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