MATADOURO de Carlos Júnior

14 março 2013



Desde o sucesso de A Bruxa de Blair (The Blair Witch Project, 1999), o gênero de horror tomou dimensões mais reais. Num envoltório de personagens que possuem o poder da câmera, falando, olhando e demonstrando suas ações diretamente para o expectador.  Esses filmes já possuem um público fiel, o que facilita a aceitação do longa pela mídia. Porém, mesmo que chegando em levas, pois quase todo filme de horror atual quer usar a mesma primícia, daí o sucesso das franquias REC e Atividade Paranormal, acabam por repetir sempre o mesmo nas suas continuações. No Brasil, este modelo de filme foi muito bem utilizado pelo jovem diretor Carlos Júnior, que lançou em julho do ano passado o longa Matadouro.

 O Filme independente tem a narrativa comum dos filmes do gênero, sendo proposital pois fica claro as homenagens realizadas pelo roteirista e diretor Carlos Júnior, onde cinco jovens estão a caminho da casa de um deles, quando ocorre um problema no carro no meio da estrada, começando a desaparecer um a um. A ideia de que foi inspirado em fatos reais, está tão presente, quanto em  um dos filmes homenageados na trama, O Massacre da Serra Elétrica, grande obra do gênero de 1974.


A Qualidade de Matadouro é admirável, desde a edição bem estruturada, formatando um conjunto de cenas e divisões dos atos que compõem no expectador um nervosismo peculiar, a atuação dos atores, em sua maioria tão bons na câmera como se ela mesmo não existisse. A Direção de Carlos Júnior parece sem limitações, ficamos com a impressão de que os atores, não atuam, e sim, são os próprios personagens que viveram a história contada.


Se a recente e equivocada matéria lançada pelo Folha de São Paulo, que descreve erroneamente a falta de filmes do gênero no Brasil, demonstra que as obras de diretores como Carlos Júnior, são esquecidas pela mídia, ou são ignoradas, provocando um grande debate, pois Matadouro, e sua continuação que deverá estrear ainda este ano, são tão bons, que merecem mais atenção do que  alguns filmes comerciais. Viva ao horror indie brasileiro!

Assista o filme on-line:


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