O Cheiro do Ralo (2007), Heitor Dhália

12 agosto 2013



Lourenço Mutarelli, cartunista nos anos 80, lançou seu primeiro romance O Cheiro do ralo em 2002. Conhecido pelo seu peculiar estranho modo de apresentar personagens, fatos e ideias, Lourenço estreia na literatura com a história de um homem que tem como vício o cheio podre que é exalado pelo ralo de seu banheiro. O retrato cínico e bem humorado do protagonista foi levado aos cinemas, pelas mãos do cineasta Heitor Dhalia, com a presença de Selton Mellon no papel principal.

Heitor Dhalia, que recentemente estreou nos cinemas americano com seu primeiro trabalho internacional 12 horas (Gone, 2012), estrelado pela Amanda Seyfried, sendo ovacionado pelo belo trabalho de suspense que conquistou um bom público, tem O Cheiro do Ralo como seu segundo filme no curriculum. A parceria com Selton Mellon foi um acerto gigante, o talentoso ator que graças a todas as forças positivas se desvinculou das novelas e dedicou-se aos cinemas e séries de Tv de canais pagos, é o mote que movimenta com vigor a história fantástica de Mutarelli.

Selton Mello é Lourenço, dono de uma loja que compra e vende objetos velhos, alguns raros e outros muito estranhos. A Loja é mais procurada por pessoas em crise financeira a procurar de vender algum objeto para conseguir dinheiro, desde pratos, cartas de baralho e um olho empalhado, todo objeto vira produto que pode ser vendido. A personalidade de Lourenço é evidentemente possessiva, possuir e criar histórias para os objetos que adquire faz parte do seu mundo solitário e egoísta, tornando-o uma pessoa por vezes deplorável, resumindo, tornando-o em um mal sujeito.



Se os personagens criados por Mutarelli já são conhecidos por seus peculiaridades, o que nos faz esperar qualquer coisa de Lourenço em O Cheiro do ralo, desde sua paixão louca pela bunda de uma garçonete que o atende em uma lanchonete e por tanto fugir, acaba sentindo falta, do odor liberado pelo ralo do banheiro de onde trabalha. Paixões internas por seres abstratos definem Lourenço em toda sua excentricidade, capaz de ferir as pessoas por ações ou palavras, tornando-o superior, já que sempre está em uma situação de escolher ou não comprar os objetos das pessoas que o procuram, geralmente necessitando com urgência dos valores. 
Selton Mellon é uma beleza a parte, e é de longe um dos melhores atores que tivemos em nosso cinema, que sabe trabalhar o sucesso de forma interna, permitindo-se está melhor a cada filme, seja na frente ou por trás das câmeras. O Cheiro do Ralo conta com diversas participações especiais, e um show de esquisitice em cena, se os personagens de Mutarelli são loucos e estranhos, é quase impercebível se olharmos atentamente para os tipos de pessoas que temos ao nosso redor, ou até, em nós mesmos. 



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