Em 1987, quando a
ficção científica parecia mais distante e não era tão real e nem fazia tanta
parte do cotidiano da sociedade, o uso de drones e robôs não passava de pura
fantasia, o filme ROBOCOP de Paul Verhoeven foi bem ovacionado pela crítica e
pelo público, a história do robô meio humano e meio máquina, chamava atenção
por mostrar um futuro seguro para todos os norte-americanos com o uso de suas
próprias máquinas. Hoje, estamos em um novo momento histórico, a tecnologia não
é tão impossível assim, e sim, já podemos acreditar que robôs podem fazer a
nossa proteção. José Padilha, responsável pelo remake do original de 87,
apresenta-nos então uma nova polêmica: Até que ponto essa tecnologia nos
oferece proteção?
O Diretor brasileiro
estreia com o pé direito em Hollywood, Robocop é de longe uma dos melhores
remakes desta atual safra de falta de criatividade, onde uma enxurrada de
adaptações e refilmagens acontecem descontroladamente. É Notável as
características de direções de Padilha já bem exploradas e agradáveis em seus
dois Tropa de Elite. Com um robocop, mais moderno com sua armadura na cor
preta, e grandes nomes no elenco como Samuel L. Jackson, que mesmo sem se envolver
com os personagens principais, é um triunfo a parte, como âncora de um jornal
sensacionalista.
A OmniCorp que lidera
a tecnologia robótica mundial, não consegue de forma alguma colocar seus
androides nas ruas americanas, sendo que o próprio governo americano utiliza a
tecnologia em outros países do mundo. O Plano formulado pela equipe de
desenvolvimento liderados por Raymond Sellars, proprietário da OmniCorp,
personagem de Michael Keaton, é criar um robô com aparência e características
humanas. Unidos a um experiente cientista, Gary Goldman, espetacular como
sempre, aproveitam a oportunidade quando o policial Alex Murphy sofre um
atentado que põe sua vida em risco.
Com uma introdução
demorada e confusa, que mesmo ocupando uma hora do filme, para apresentar-nos o
caso que levou Alex Murphy sofrer o atentado que quase lhe custa a vida,
Robocop dá ênfase ao apelo sensacional do homem-robô, que mesmo sendo desligado
de suas emoções físicas, consegue reestabelecer seus contatos íntimos com a
esposa e o filho, e parte em busca de vingança aos que lhe provocaram o
acidente.
Joel Kinnaman, ator sueco
que dá vida a Alex Murphy é corajoso em estabelecer os momentos em que a emoção
é ou não o grande momento da narrativa, seja ao descobrir que do seu corpo
original restou-lhe apenas uma mão, a cabeça e pulmões, como quando friamente
acaba com uma equipe de contrabandistas inteira. Claro, com a direção ligeira e
angustiante tão peculiar de Padilha.
Quando máquinas e
homens compartilham do mesmo momento, mesmo corpo e consequentemente, mesmos
sentimentos, fica claro que um dos dois precisam vencer. E vencer no caso de
Padilha e de seu Robocop é mostrar que refilmagens oferecem à seus filmes
originais, mais fôlego de existência. Pois mesmas histórias, contadas mais de
uma vez, nunca será a mesma história.

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