Análise: Robocop de José Padilha

27 fevereiro 2014
Em 1987, quando a ficção científica parecia mais distante e não era tão real e nem fazia tanta parte do cotidiano da sociedade, o uso de drones e robôs não passava de pura fantasia, o filme ROBOCOP de Paul Verhoeven foi bem ovacionado pela crítica e pelo público, a história do robô meio humano e meio máquina, chamava atenção por mostrar um futuro seguro para todos os norte-americanos com o uso de suas próprias máquinas. Hoje, estamos em um novo momento histórico, a tecnologia não é tão impossível assim, e sim, já podemos acreditar que robôs podem fazer a nossa proteção. José Padilha, responsável pelo remake do original de 87, apresenta-nos então uma nova polêmica: Até que ponto essa tecnologia nos oferece proteção?

O Diretor brasileiro estreia com o pé direito em Hollywood, Robocop é de longe uma dos melhores remakes desta atual safra de falta de criatividade, onde uma enxurrada de adaptações e refilmagens acontecem descontroladamente. É Notável as características de direções de Padilha já bem exploradas e agradáveis em seus dois Tropa de Elite. Com um robocop, mais moderno com sua armadura na cor preta, e grandes nomes no elenco como Samuel L. Jackson, que mesmo sem se envolver com os personagens principais, é um triunfo a parte, como âncora de um jornal sensacionalista.

A OmniCorp que lidera a tecnologia robótica mundial, não consegue de forma alguma colocar seus androides nas ruas americanas, sendo que o próprio governo americano utiliza a tecnologia em outros países do mundo. O Plano formulado pela equipe de desenvolvimento liderados por Raymond Sellars, proprietário da OmniCorp, personagem de Michael Keaton, é criar um robô com aparência e características humanas. Unidos a um experiente cientista, Gary Goldman, espetacular como sempre, aproveitam a oportunidade quando o policial Alex Murphy sofre um atentado que põe sua vida em risco.

Com uma introdução demorada e confusa, que mesmo ocupando uma hora do filme, para apresentar-nos o caso que levou Alex Murphy sofrer o atentado que quase lhe custa a vida, Robocop dá ênfase ao apelo sensacional do homem-robô, que mesmo sendo desligado de suas emoções físicas, consegue reestabelecer seus contatos íntimos com a esposa e o filho, e parte em busca de vingança aos que lhe provocaram o acidente.

Joel Kinnaman, ator sueco que dá vida a Alex Murphy é corajoso em estabelecer os momentos em que a emoção é ou não o grande momento da narrativa, seja ao descobrir que do seu corpo original restou-lhe apenas uma mão, a cabeça e pulmões, como quando friamente acaba com uma equipe de contrabandistas inteira. Claro, com a direção ligeira e angustiante tão peculiar de Padilha.


Quando máquinas e homens compartilham do mesmo momento, mesmo corpo e consequentemente, mesmos sentimentos, fica claro que um dos dois precisam vencer. E vencer no caso de Padilha e de seu Robocop é mostrar que refilmagens oferecem à seus filmes originais, mais fôlego de existência. Pois mesmas histórias, contadas mais de uma vez, nunca será a mesma história.

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